quarta-feira, novembro 22, 2006

Ouve...

Ouve querido,
não tens de ficar.
Se não é aqui que pertences.
Se essa dor de sentir diferente
te sufoca e te prende, empurra e se entranha nos teus pensamentos.
A dor que é essa, a dor que deixei para trás quando decidi ganhar-te, porque,
por perder-te tanto,
achei
que perder-te já não doía.
Mas se, ganhando-te,
eu e o mundo
te fazemos perder em exigências, em responsabilidades e em prazos, em medos...
ouve,
(ainda que morrendo para que fiques)
não tens de ficar.
Foge,
se é a fuga que te prende. Eu fugia.


P.S.:Mas isso sou eu, que quando foste (tanto) embora fizeste perder o medo do doer de perder e de fugir.

6 comentários:

Manuela disse...

Faz de conta que não estou
Que não vim
Não moro aqui
De mim só tens a ausência
A mesma que tenho de ti
Que me faz rir por não estares
Quase sempre que não estás
Que me faz rir se ficares
Quando ficas, quando estás.

O riso da tua presença
Com a música que o embala
É igual à tua ausência com que enches esta casa
Que foi feita só para ti
Prenha da minha incerteza:
Se não estou?
Se moro aqui?

Para que de mim permaneça,
E para sempre, a minha ausência.

Do estar não tenhas certezas
Como certeza eu não tenho
De ficares para sempre assim.
As asas de que somos feitos
Construíram uma tal viagem
Feita de ausências perfeitas
De belas presenças furtivas
Livres a tempo inteiro.

Duma casa feita espaço
Escrevo-te por tu não estares
Para que quando chegares
Faças de conta que estou,
Mas que vim,
Não moro aqui.

Manuela disse...

Esqueci-me de dizer que achei o post simplesmente espectacular...

Sem palavras!

Su disse...

Lindo... Demonstra que tens uma grande força interior e altruísmo, que já tinha notado, como seguidora assídua do teu blog.
Às vezes o que prende é também o que faz fugir e na fuga percebemos (ou não) a razão de todas as coisas. Eu também fugia. Nem que fosse para voltar.

Pedro disse...

Brilhante
Beijinho para ti

Ndombele Freddy disse...

Lindo, muito lindo mesmo...

Ndombele Freddy

NonSense disse...

:')