terça-feira, junho 06, 2006

Sometimes i feel ugly

Ser menina não é fácil. Ser mulher não é fácil. Somos desde pequeninas confrontadas com "és feia, já não sou tua amiga", crescemos a ver as nossas mães a maquilhar-se e a andar de saltos altos, enchem-nos de ganchos no cabelo e roupa cor de rosa e carteireinhas... Eu própria dou por mim a fazer isso... Desde pequeninas que as meninas são literalmente mascaradas, como se lhes incutissemos um sentimento de que por elas próprias nunca são suficientemente bonitas. E ainda por cima os miúdos têm pilinha e a nós parece que nos falta alguma coisa...Quando crescemos mais um bocadinho sentimos sempre que a amizade e os sentimentos que suscitamos nos homens é directamente proporcional ao corpo que temos. As amizades com as raparigas são menos "interesseiras" mas também menos frontais. Vamos todas juntas á casa de banho e tal, mas há sempre uma critica subjacente. As mulheres confrontam-se diariamente com a necessidade de se sentirem bonitas. Umas tentam sentir-se bonitas outras tentam que as "amigas" pareçam feias. Somos constantemente bombardeadas com corpos esculturais, faces perfeitas, cabelos sedosos e sorrisos brilhantes. Qualquer anuncio de detergente de wc tem uma mulher com um corpo perfeito enfiada num fato de napa coladissimo. Já sem falar nos anuncios de giletes e espuma de barbear... alguma vez se viu uma mulher menos bonita a abraçar o homem quando ele aparece de barbinha feita? Daí a pressão de ser perfeita. E se o sentimento de não ser suficientemente boa se perpetua no dia a dia, nasce em casa. Na constante pressão que nos é passada e que passamos aos outros, desde pequeninos. E isso torna-se uma preocupação. Uma preocupação real. E se muitas das vezes nos queixamos de algo, não é apenas uma questão de "fishing complimments", é uma sensação real de que não estamos bem conosco, que a nossa auto-estima está a tocar no fundo e que nunca nos sentimos suficientemente bons nem bonitos.
Ser bom é ser magro e perfeito e o mundo só aceita as pessoas assim. É verdade. Mas é errado. Eu entendo isso e empenho-me na minha campanha por uma beleza real mas tenho de admitir que é dificil. São coisas que nos são passadas desde muito cedo e que estão constantemente a ser reforçadas. Aprendi que existem muitas coisas muito mais importantes do que a beleza exterior. Ainda assim queria ter menos barriga, mais altura, um nariz diferente... É a eterna necessidade/pressão de ser perfeita... Quem me dera a mim (e a muitas das pessoas que conheço) conseguir viver ser precisar da aprovação constante dos outros. Quem nos dera a nós conseguirmos dar-nos uma trégua a nós mesmos para conseguirmos olhar para nós. Ver em nós aquilo que realmente temos de bom. Era bom... gostarmos de nós, encontrarmos as nossas true colors e sermos felizes mesmo assim.

1 comentário:

Sebastião da Graça disse...

Sabias que Sarah vem do hebraico, princesa! Pois, raramente um nome teve tanto a ver com a pessoa como neste caso! Eu compreendo que há a tentação e mesmo necessidade de queremos ser aceites pelos outros, pelo que em primeiro lugar salta a vista, o nosso físico, e é muito mais difícil sermos reconhecidos pelo que realmente somos. Assumo enquanto homem, cota parte de culpa, porque é-me difícil deixar uma mulher menos atraente fisicamente, dar-se a conhecer. É por isso que foi óptimo conhecer-te como realmente és, por dentro. Uma boa pessoa, generosa, com um coração enorme (não literalmente!), uma "princesa" entre as mulheres. Mas deixo um desafio, muito trabalhoso. Atreve-te e liberta-te de preconceitos sociais "impostos" e começa a mudar as mentalidades, as opiniões, o mundo! Sê simplesmente, Shara!