sexta-feira, março 03, 2006

Serpa

Serpa.
Supostamente durante duas semanas, para perfazer duas das quatro que compõem o estágio de Medicina Geral e Familiar. Mas entretanto pôs-se o Carnaval e só viemos na 4ª feira.
5 da manhã. Arghhhhhhh. A sorte foi que ja tinha tudo preparado de véspera e a minha única preocupação foi pôr o edreddon dentro dum saco daqueles azuis, do lixo, enormes.
"Oh Shara, não há espaço! Vais a viagem toda c o edreddon em cima de ti."
"Se o edreddon não for, eu também não vou!!"
As minhas colegas já deviam estar a esfregar as mãos de alegria, a pensar que se tinham livrado de mim. Mas não... entrei eu e o edreddon no carro.
Temos pena... Mas convém não esquecer que vim de Àfrica e não me dou bem com o frio.
No final, bem feitas as contas, fui a que trouxe o saco mais mais pequeno. Acho que me vai faltar roupa para os últimos dias. Mas fui motivo de orgulho, tendo em conta os meus antecedentes... Convém frisar que abandonei toda a minha make up, secador do cabelo, saltos altos e etc, em Lisboa. Afinal de contas vim para trabalhar e tou num centro de saúde no meio do alentejo. Who cares se a minha pele está com a tonalidade perfeita? Ou se o meu cabelo está com um estilo completamente alternativo que só cede a ganchos e elásticos, a MUITOS ganchos e elásticos.

O importante é estar cá. É uma experiência completamente nova, esta de lidar com o doente de uma forma geral, como a medicina familiar exige. Conhecer-se não só o doente, mas ser-se também médico/a dos seus pais, dos filhos, do marido... É a relação médico-doente no seu verdadeiro sentido.

Confesso que achava que a clinica geral fosse chata.


Mas, tendo em conta que a maioria dos doentes são idosos e com pluripatologia o desafio de estabelecer a medicação eficaz, barata e não prejudicial, põe-se constantemente. Definir e sugerir medidas gerais de vida saudável (e esperar que o doente as vá cumprir) deve ser uma das melhores caracteristicas do médico de familia que, para além de ser médico, também é amigo, psicólogo... É o que é isso, senão "ser médico"? Ok, não vou chatear-vos com a conversa do "ver o doente como um todo" mas que faz sentido, faz!

Tou a ficar sem tempo no cyber... Depois volto com cenas dos próximos capitulos ;) Ou não... entre Centro de Saúde, S.A.P, Bohemias com os amigos da Rita cá de Serpa e migas com entrecosto na "Lebrinha" não sobra muito tempo para internet...

1 comentário:

incomunidade disse...

é isso Shara e o facto de, apesar de haver doença igual, não haver dois "doentes" iguais