quarta-feira, março 08, 2006

Mulher

Não troco!
Ser mulher é uma honra e uma benção. Não para todas as mulheres e não enquanto continuarmos a viver num mundo feito por homens e para homens. Num mundo em que o seu corpo é desrespeitado e a mente violada. Num mundo em que se amam homens e criam filhos para depois irem morrer numa guerra qualquer. Num mundo em que, como me disseram, não se pode ser boa mulher, boa mãe, boa profissional e boa amante. Ou se é uma coisa ou outra.
Felizmente cresci numa familia em que o papel das mulheres é crucial. Cresci sob a influência e o olhar atento de grandes mulheres, a minha mãe, avó e tia. Protegida da dor e das desilusões que os homens nos causam. Quando cresci e tive de senti-las, perdi muitas vezes a fé no homem e nesse mundo em que eles vivem e querem que eu viva. O que me safa sempre é a minha avó, que com a sabedoria dos seus 76 anos me aconselha sempre a nunca deixar de acreditar.
Não quero generalizar e dizer que todos os homens são maus, feios e porcos. Conheci um ou outro excepcionalmente bom, carinhoso, amigo e sensivel. Alguns mais sensiveis que eu, até! Mas o que constatei foi que nesses homens que entendem melhor o que sentimos, também existiu sempre uma figura feminina que exerceu um papel importante. E é isso que os faz diferentes. Respeitar e amar primeiro a mãe, as irmãs, as amigas, a mulher que escolhem para viver e as filhas que terão.
O que me assusta é que neste mundo em que a mãe trabalha tanto como o pai e tende a estar tão ausente quanto ele, a figura da mãe a tempo inteiro desvanece-se. E numa sociedade em que a mulher é "respeitada" não pelo seu todo "corpo-mente-emoção" mas pelo "peito-rabo-futilidade" torna-se dificil querer ser respeitada. E ai acho que a culpa é toda nossa, das mulheres, porque na realidade tambem damos muita importancia a coisas pouco importantes.
Quanto a mim exerço a minha psicologia nos meus primos pequenos. Abdico do "uma boneca prá Maria e uma pistola para o João" e ofereço a um caderno e lápis de cor a cada um.
Para pintarem o mundo em que eu queria que eles vivessem, onde os homens não são mais que as mulheres nem as mulheres mais que os homens. Um mundo em que cada um deve ser amado e respeitado pelas suas caracteristicas e tem os mesmo direitos dentro das suas diferenças.

1 comentário:

MN disse...

Estou de acordo, também gostava de ser mulher… à parte a; TPM, a menstruação, as dores de bexiga, o estigma da mulher dona de casa (tanque/fogão), as idas ao cabeleireiro, a manicura, pedicura, fazer o buço, instinto maternal, chegar aos 30 sem estar casada e entrar em depressão, ter sandálias e cintos a condizer, malas a condizer com a cor da blusa (de certo que me troquei todo, desculpa, sou gajo) usar tangas (que imagino desconfortáveis), andar de saltos altos, depilar as pernas, sovacos e genitais, usar cremes para tudo, aturar homens que não reparam que vocês mudaram o penteado e que usam um novo perfume, que gostam de ver a bola, discutir cilindrada de carros, beber cerveja e ter hálito de bêbado, e que depois de 1 queca viram para o lado e dormem, também adorava ser mulher.