segunda-feira, junho 12, 2006

Há coisas que nunca mudam.

As mentiras são sempre as mesmas. As conversas são sempre as mesmas. O nó que causam na garganta é sempre o mesmo. E a desilusão... essa é sempre igual.

Enfim, há coisas que nunca mudam.

domingo, junho 11, 2006

Afrolusitana. Lusoafricana.


Se há dor que me dói é essa de ter de optar por uma das duas terras que me viram nascer e crescer. Hoje não sou uma, sou muitas coisas.
Afrolusitana.
Lusoafricana.
P.S.: Ainda assim queria que os meus palancas ganhassem, só porque é a primeira vez que vamos tão longe... Áparte as rivalidades e tribalismos estupidos... Só mesmo porque acho que o meu povão ia adorar...

terça-feira, junho 06, 2006

Sometimes i feel ugly

Ser menina não é fácil. Ser mulher não é fácil. Somos desde pequeninas confrontadas com "és feia, já não sou tua amiga", crescemos a ver as nossas mães a maquilhar-se e a andar de saltos altos, enchem-nos de ganchos no cabelo e roupa cor de rosa e carteireinhas... Eu própria dou por mim a fazer isso... Desde pequeninas que as meninas são literalmente mascaradas, como se lhes incutissemos um sentimento de que por elas próprias nunca são suficientemente bonitas. E ainda por cima os miúdos têm pilinha e a nós parece que nos falta alguma coisa...Quando crescemos mais um bocadinho sentimos sempre que a amizade e os sentimentos que suscitamos nos homens é directamente proporcional ao corpo que temos. As amizades com as raparigas são menos "interesseiras" mas também menos frontais. Vamos todas juntas á casa de banho e tal, mas há sempre uma critica subjacente. As mulheres confrontam-se diariamente com a necessidade de se sentirem bonitas. Umas tentam sentir-se bonitas outras tentam que as "amigas" pareçam feias. Somos constantemente bombardeadas com corpos esculturais, faces perfeitas, cabelos sedosos e sorrisos brilhantes. Qualquer anuncio de detergente de wc tem uma mulher com um corpo perfeito enfiada num fato de napa coladissimo. Já sem falar nos anuncios de giletes e espuma de barbear... alguma vez se viu uma mulher menos bonita a abraçar o homem quando ele aparece de barbinha feita? Daí a pressão de ser perfeita. E se o sentimento de não ser suficientemente boa se perpetua no dia a dia, nasce em casa. Na constante pressão que nos é passada e que passamos aos outros, desde pequeninos. E isso torna-se uma preocupação. Uma preocupação real. E se muitas das vezes nos queixamos de algo, não é apenas uma questão de "fishing complimments", é uma sensação real de que não estamos bem conosco, que a nossa auto-estima está a tocar no fundo e que nunca nos sentimos suficientemente bons nem bonitos.
Ser bom é ser magro e perfeito e o mundo só aceita as pessoas assim. É verdade. Mas é errado. Eu entendo isso e empenho-me na minha campanha por uma beleza real mas tenho de admitir que é dificil. São coisas que nos são passadas desde muito cedo e que estão constantemente a ser reforçadas. Aprendi que existem muitas coisas muito mais importantes do que a beleza exterior. Ainda assim queria ter menos barriga, mais altura, um nariz diferente... É a eterna necessidade/pressão de ser perfeita... Quem me dera a mim (e a muitas das pessoas que conheço) conseguir viver ser precisar da aprovação constante dos outros. Quem nos dera a nós conseguirmos dar-nos uma trégua a nós mesmos para conseguirmos olhar para nós. Ver em nós aquilo que realmente temos de bom. Era bom... gostarmos de nós, encontrarmos as nossas true colors e sermos felizes mesmo assim.

segunda-feira, maio 29, 2006

Cruzei-me contigo.

Cruzei-me contigo.
Tu: Mas tu já es médica?
Eu: Sim... Praticamente médica.
Tu: Mas... médica mesmo, daquelas que tratam das pessoas?
Eu: Sim...
Tu (muito baixinho): Ai que medo!
Acabámos as duas a rir...

Já não há nada a fazer... Eu também tenho medo, amiga. Acredita.

Concerto do Joni Cash, Hard Club, Porto


O Joni conseguiu mais uma vez pôr o pessoal a vibrar (ok, com um ligeiro suborno "ya ya vou-te pagar uma birra assim que descer do palco mano" LoL)... Sou suspeita mas... ele é bom. Já o conheço há praí cinco anos, sempre com a mesma vontade e determinação, que vem de longe e não se abala. O meu "double team fantástico" Joni e Kwannon, continua a manter aquela mistura deliciosa de under com mainstream num hip hop cheio de sotaque...
Apesar de não estar na minha melhor forma (porque é que ninguém acredita que eu estou doente??? não dá pra ver que passo o dia ranhosa?? :P) este foi "O" concerto e sem dúvida uma das melhores noites dos últimos tempos. No Porto (LINDO, o rio com umas cores lindas, calor de rachar e pessoas muito, muito simpáticas) ... No Porto "hip hop"a-se, "dance hall"a-se e ragga-se a sério...
Swahilli.

terça-feira, maio 23, 2006

Qué qué isto???

Aiiiii que coisa tão rosa... Arggghhh que menina que eu tou...

Acho que o blog ficou meio (meio só??) pindérico mas... isto de trabalhar em html dá muito trabalho e o Harrison's Principles of Internal Medicine tá mesmo aqui ao lado a olhar para mim, aberto na mesma página há tréculos (três séculos :P)... Já sem falar na história clínica de psiquiatria que tenho de acabar...

Por isso... Vai ficar rosa mesmo, que tenho de estudar e ir pró ginásio...
P.S.: Hoje ouvi uma coisa bonita... "A auto-estima nasce no olho dos outros"... Deu-me que pensar e tava prestes a fazer aqui mais um daqueles testamentos, mas é como vos digo, tenho a fibrose quistica e a história clinica á minha espera... :P

domingo, maio 21, 2006

Benção das Fitas

"Era uma vez uma menina com uma boca grande que fazia desenhos com cores vivas, que fazia bonecas com grandes cabeleiras louras e laços na cabeça e fazia casas com muito fumo a sair pela chaminé... Uma menina que desde cedo se revelou com uma personalidade forte e muito determinada, que dizia: - "Quando for grande quero ser médica, daquelas que tiram os bébés das barrigas das mães..."...

E como "das fracas não reza a história..."

Esta frase foi dita e escrita por mim para ti, durante estes seis anos, sempre que tinhas uma barreira para ultrapassar, e realmente é verdade, não há relatos de histórias de mulheres fracas. A história só contempla as pessoas que se mostram diferentes durante a passagem por esta vida. Eu espero que continues sempre a fazer história, de solidariedade, de amizade, de mão na mão e de sucesso. Durante todos estes anos vibrei contigo com as tuas vitórias e baixei os olhos nas tuas fraquezas. Agora que o sonho se concretizou, mais uma vez te digo: "DAS FRACAS NÃO REZA A HISTÓRIA...".

Amo-te muito. Mãe."

A menina de boca grande que sonhava ser uma médica (loura?) sou eu. E este é o texto que a minha mãe me escreveu. Ela que me conhece melhor que ninguém. Que me apoiou, aturou e me ensinou a ser como sou, ainda que não seja perfeita. Que me ensinou a dar-me valor a mim própria mas sem nunca me esquecer do valor dos outros. Que me transmitiu valores como a humildade, a educação, o respeito... Que mudou n vezes as minhas fraldas, e conseguiu continuar a gostar de mim...

Que divide comigo uma vida, uma casa, produtos do cabelo, malas, sapatos e tops... Que divide comigo silêncio e palavras. Que me ensinou que a espiritualidade e a racionalidade podem perfeitamente coexistir numa pessoa. Que é linda com uma força enorme, gostosissima, que ninguém acredita que seja minha mãe e que ouve mais piropos dos homens das obras do que eu... Que atribui alcunhas a todos os meus amigos... É A MINHA MÃE. E tudo o que eu possa dizer vai estar sempre àquem daquilo que ela é para mim. Também a amo, sabem? :)